Ratinho foi alvo de graves acusações por parte do ex-repórter de seu programa, Ney Inácio, em meio à polêmica de transfobia com a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O jornalista apontou que o apresentador sempre foi preconceituoso e expôs situações vexatórias que sofreu no ar.
"Ratinho sempre foi transfóbico, homofóbico, tudo que é ‘fobia’ ele tem", iniciou Ney. O repórter conta que, sempre que era chamado ao palco, o sonoplasta colocava a música “Pavão Misterioso”, de Ney Matogrosso, para tocar. Ele afirma que chegou a pedir que a canção não fosse executada em sua entrada.
"Ratinho, pelo amor de Deus, para com isso. Eu sou um cara sério, Ratinho, eu sou um jornalista, não cai bem", relatou Ney. O jornalista diz que o questionou ao vivo sobre por que a música era atribuída a ele. A resposta foi uma piada homofóbica. “Porque o pavão não abre o rabo? Ele abre o rabo igual você.”
O repórter também relata outra situação de constrangimento, quando o Ratinho o perguntou durante uma gravação: "Você morde ou chupa?". Ney relata que deixou o palco, enquanto a plateia dava gargalhadas. "Eu tenho vídeo de tudo isso guardado. Antes de tirarem da internet, eu guardei", garante.
Ney conta que sua família constantemente cobrava que ele abandonasse o emprego, mas ele alega falta de oportunidades em outros locais por conta do estigma de baixaria que o “Programa do Ratinho” carrega. "Quando você está trabalhando no ‘Programa do Ratinho’, as portas estão fechadas em outros lugares. As pessoas associam a tua imagem ao programa.”
Em 2020, Ney foi demitido enquanto enfrentava cânceres de rim e de próstata. Quase um ano depois, ele venceu a ação que moveu contra o SBT na Justiça do Trabalho. As informações a seguir são do jornalista Leo Dias, na época, colunista do portal Metrópoles.
Ney trabalhava na emissora há 22 anos quando foi demitido. Com o auge da pandemia da Covid-19, a emissora justificou a dispensa com o fato de ele pertencer ao grupo de risco e precisava cuidar da saúde. Surpreso com a justificativa, ele decidiu acionar a Justiça.
“Nos três últimos anos, trabalhei com a doença. Eu não poderia ter sido demitido por isso. Aí entrei com a ação. Ganhei a ação, foi favorável a mim, há duas semanas. Foram 23 anos de SBT. Fui demitido no dia do aniversário do SBT, 19 de agosto do ano passado, via e-mail”, contou Ney em entrevista a Leo.
Ney ganhou a ação por dois motivos fundamentais. O primeiro deles foi o reconhecimento de uma dispensa discriminatória, já que ele foi demitido em meio ao tratamento do câncer. Além disso, a Justiça do Trabalho também determinou que houve uma fraude na contratação do repórter como pessoa jurídica.
Com isso, o SBT foi condenado a pagar os encargos trabalhistas rescisórios de todo o período de contratação - nesse caso, de junho de 2009 a agosto de 2020, como férias em dobro, 13° salário, horas extras, FGTS e aviso prévio.
“Eu sou pessoa jurídica, trabalhava de CLT, inclusive com acúmulo de função e várias outras irregularidades. A Justiça viu que eu tinha direito a receber tudo o que merecia, e declarou que eu não poderia ser demitido de forma alguma por conta dos meus dois tratamentos de cânceres, no rim e de próstata”, comentou Ney.
player2